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Crack invade o interior do Estado
24 de Janeiro de 2010

A Polícia Militar desarticulou um bando que abasteceria com crack o centro de Marechal Floriano, Região Serrana do Estado. Uma adolescente de 17 anos foi apreendida no sábado com 287 pedras de crack e um revólver calibre 38 sem munição.

A garota tinha acabado de entregar a mercadoria numa residência em Costa Pereira, zona rural do município, onde funciona uma boca de fumo. Um dos chefes do bando e morador da casa, Paulo de Oliveira Rufino, 22 anos, foi localizado no centro do município e acompanhou a polícia até à casa.
 
Além dos dois que acabaram presos, outras cinco pessoas, entre elas mais dois menores de idade, um de 13 anos e uma outra garota de 15, foram detidos. Foram presos: Cleiton dos Santos Sepulcro, 18, Luis Felipe de Oliveria, 20, e Giseli de Castro Vieira, a Cheirosa, 22. Todos foram encaminhados à Delegacia de Venda Nova do Imigrante.

Um outro integrante do bando conseguiu fugir. Segundo denúncias recebidas pela Polícia Militar, o homem que fugiu e Paulo são apontados como os donos da droga. A menor de 17 anos trouxe a droga de Vitória e contou aos policiais do 2º Pelotão da 6ª Companhia Independente de Marechal Floriano que recebeu as pedras de crack de um homem na Reta da Penha.

Após deter a adolescente e Paulo, os policiais seguiram com os dois até o endereço de onde a droga e os outros integrantes foram encontrados. O proprietário que conseguiu fugir é o pai do menor de 13 anos apreendido no local.

De acordo com o sargento Rodrigues, a gangue iria vender as pedras no centro de Marechal Floriano. "Infelizmente, o crack chegou no interior. O bando não tinha clientela fixa e todos são de fora do município e iriam vender a droga no centro", informou o sargento.

3ª quadrilha presa em menos de 20 dias

O capitão Marcelo Correa Muniz, comandante da 6ª Companhia Independente da Polícia Militar, informou que foi a terceira quadrilha presa acusada de tráfico de drogas presa nos últimos 20 dias no municípi de Marechal Floriano.
Ele é responsável pelo policiamento em Domingos Martins e Marechal.
O capitão Muniz informou que essas quadrilha geralmente são de fora da cidade."Eles alugam casas de pessoas do município. Peço que os moradores peçam uma referência dos futuros inquilinos", falou.
Dentre os fatores que facilitam a chegada da droga, especificamente o crack, no município, o capitão Muniz enumerou o fato da BR-262, uma rodovia federal, cortar a cidade e por ser uma droga de fácil acesso.

No Espírito Santo, crack se aproxima de álcool no ranking da dependência 

Vinte e nove anos de idade, nove internações e uma vida marcada pela violência, mortes e destruição familiar. Esses são alguns dos reflexos do crack na vida de X., um dos internos do Programa de Reabilitação à Saúde do Toxicômano e Alcoolista (Presta) do Hospital da Polícia Militar (HPM), em Vitória. Filho de advogado, o rapaz perdeu os pais e a mulher devido ao consumo de drogas. "Comecei com 13 anos. Perdi minha juventude, mas estou disposto a recuperá-la", diz.

A história de X. é apenas um dos vários exemplos do estrago que o crack pode causar na vida de uma pessoa. Tal fato vem se tornando tão comum que hoje os principais centros de atendimento a dependentes químicos do Estado já registram uma diferença cada vez menor entre o número de usuários de álcool e de crack.

No HPM, localizado em Bento Ferreira, os dados são surpreendentes: em 1998, a distância relativa ao número de atendimentos destinados a usuários de álcool - que segue na liderança no ranking da dependência - e crack era de 34 pontos percentuais. Em 2008, era de apenas 6 pontos.

Para o psiquiatra Fernando Furieri, a escravização causada pelo crack e o surgimento de medicamentos eficientes no tratamento do alcoolismo podem ser a razão dessa mudança. Apesar de o programa de reabilitação do HPM ter surgido para atender apenas os policiais, em 2009 dos 164 dependentes internados só dez eram militares.

Medicamentos

Em outro local de tratamento para dependentes químicos, o Centro de Prevenção e Tratamento a Toxicômano (CPTT) de Vitória, na Ilha de Santa Maria, uma pesquisa mostra que 43,21% dos medicamentos são destinados a usuários de crack na faixa etária entre 18 e 24 anos; e 12,38%, para os de álcool, na mesma faixa de idade.

O levantamento foi realizado pelo responsável pela coordenação da Farmácia do CPTT, o farmacêutico Gustavo Amorim. "Ao chegar à farmácia, o paciente está selando o tratamento", explica. No setor de acolhimento do mesmo centro, o crack superou as outras drogas em outubro do ano passado.

Tratamento difícil

O crack causa reações físicas como convulsão, elevação da pressão arterial, arritmias cardíacas, além de fibrose pulmonar e reflexos no sistema nervoso, como psicose, delírio e alucinação. Ele pode levar a pessoa à morte. A partir de uma ou duas experiências, é possível tornar-se dependente. A droga possui a capacidade de chegar muito mais rápido ao cérebro - de 10 a 15 segundos após fumada -, mas tem efeito efêmero, de cinco minutos.

Fernando Furieri explica que a única solução médica hoje é um procedimento que introduz eletrodos no cérebro da pessoa para acalmar a fissura e a ansiedade pelo uso da droga. "O custo do procedimento é alto, mas há debates para que ele seja oferecido pela rede pública", diz.

Recaídas abaixo da média no HPM

Entre os 164 dependentes químicos que se internaram no Programa de Reabilitação à Saúde do Toxicômano e Alcoolista (Presta) do Hospital da Polícia Militar (HPM) em 2009, 59% afirmou ter tido recaída. De acordo com o coordenador do Presta, tenente Rubens José Loureiro, o resultado é positivo. "A média estipulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que 70% voltem às drogas", afirma.

O programa é aberto para toda a população. Aos interessados basta agendar uma avaliação com o grupo de acolhimento. Depois, é feita uma triagem que vai definir ou não a internação. O Presta também oferece atendimento a familiares, com psicólogos e assistentes sociais.

No total, são 18 leitos - em abril serão 25. O interno fica, em média, de 35 a 45 dias. Depois ele segue para um pós-tratamento, que chega a durar dois anos. Nesse período, frequenta o HPM uma vez por semana. São 15 profissionais, entre psicólogos e assistentes sociais à disposição dessas pessoas. O únicos pré-requisitos são: ter mais que 18 anos e interesse no tratamento.

No Centro de Prevenção e Tratamento a Toxicômano de Vitória, o tratamento pode ser feito em três períodos, que variam de idas diárias a três visitas por mês. As internações duram 15 dias e acontecem no Pronto-Socorro Psiquiátrico do Hospital São Lucas.

Centro de tratamento vai funcionar durante 24 horas

Ainda neste ano, o Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas (Caps-AD) - também conhecido como Centro de Prevenção e Tratamento de Toxicômanos (CPTT) de Vitória - passará a funcionar durante 24 horas para atender a pacientes da unidade. De acordo com a coordenadora da Saúde Mental em Vitória, Andréa Campos Romagnoli, a ampliação permitirá acolher os usuários em crise durante a noite.

"O centro passará por uma reforma e ganhará cinco leitos. Não atenderá a casos de emergência, mas apenas aos pacientes já em tratamento", explica.

Nos próximos dois anos, a prefeitura pretende transformar o Centro de Atenção Psicossocial para pessoas com transtornos mentais graves, o Caps II, em Caps III. Também deve ser construída outro Caps III e um serviço específico para atendimento de crianças e adolescentes usuários de álcool e drogas.

Onde buscar ajuda

Presta
Triagem: O agendamento
deve ser feito às sempre segundas-feiras
Local: Avenida Joubert Barros, 555, Bento Ferreira, Vitória
Telefone: 3137-1765

CPTT

Acolhimento: É feito diariamente, exceto nas manhãs de terça-feira
Local: Rua Álvaro Sarlo, s/n, Ilha de Santa Maria, Vitória
Tels.: 3132-5104 e 3132-5105

Autor: Editoria Dia-a-dia
Fonte: A Gazeta